Quem somos

Comunidade para-aparicional de pensamento, arte e ruído.

Oferecemos cursos, conversas e experiências espectrais voltadas à interferência discreta no real.

Coordenadores
Juliana Fausto
Pedro Taam

Em física há quantidades “fixas”, números que acreditamos exprimir certas razões fundamentais da natureza: pi, a constante de Planck, a constante cosmológica etc. Só que as “constantes” não são um dogma. A única coisa que nos assegura que elas não mudam é o acúmulo de observações ao longo dos anos de que, pelo menos até onde vai nossa capacidade de interpretar a radiação de fundo do Universo e de extrapolar a evolução das galáxias e dos relógios atômicos, as constantes são mesmo constantes e nada indica que elas vão mudar.

Dizem que o seguro morreu de velho, mas, se é assim, então eterno ele não é. É por isso que há diversos laboratórios e forças-tarefa pelo mundo afora que, constituídos de redes colaborativas, se dedicam a medir as constantes do universo e a comparar as medições feitas uns pelos outros, para estabelecer qual o melhor valor operacional de dada constante em dado momento e a assegurar que podemos dormir aliviados: elas continuam constantes.

Firmemente imbuídos de sua missão de checar se um mais um ainda é dois, Juliana e Pedro ajustaram seus relógios atômicos, biológicos e de pulso e fizeram uma aparição coordenada, ao mesmo tempo e no mesmo lugar, para verificar se Notre Dame ainda estava de pé. É que, na falta da concórdia estável do mundo das ciências da natureza, para os humanos a eternidade equivale a duzentos anos, conforme Visconti fez sair, uma vez, da boca de um personagem de filme, o que significaria que uma catedral milenar é como que cinco vezes eterna.

Não há motivos para inquietação, pelo menos por enquanto. Ela continua de pé. O que não nos impedirá de voltar, em algum momento, para checar.


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