Inscrições FERAL - o curso

Aulas - 19h às 21h
11/03 - Sodalícia Feral: Fauno, matilha e a palavra possuída
18/03 - Homo ferus: crianças selvagens e a violência do “universal”
25/03 - Foedera naturae: pactos materiais e política desatômica
01/04 - Minimanual do povo das fendas: micropolíticas, sonhos e alianças de brecha

Este curso é uma retomada — e um aprofundamento — da aula “Feral — bichos, humanos e outros seres errantes”. Ele foi pensado para funcionar mesmo para quem não viu a aula: a primeira parte do encontro 1 reconstitui o mapa, os termos e as tensões principais, e daí em diante seguimos juntos. O curso opera como um laboratório no qual feral deixa de ser jargão e volta a ser força de pensamento (com risco, heresia, e contexto).

Partimos do Glossolalia Feral I, esse “pequeno dicionário parcial” — em que as palavras não são neutras, falam em línguas e não são neutras e atravessamos para o Glossolalia Feral II, onde aparecem os pactos materiais (foedera naturae), a crítica às teleologias (e ao impulso de domesticar tudo), e um modo de pensar política e natureza sem rei, sem legislador, nem garantias. Ao final, a ideia é que criemos em conjunto uma nova Glossolalia, que não há de ser síntese nem horizonte, mas possível transformado.

Para quem é

Para quem gosta de filosofia, bichos, cinema, arte, mito, etimologias bastardas e fricções do presente — e também para quem só sente que as categorias estão desmoronando e quer ferramentas mais finas (e mais estranhas) para pensar isso. “Feral” aqui não é retorno romântico nem força destrutiva: é torção, astúcia, insistência depois do pacto quebrado.

Sinopse das aulas

1) Sodalícia Feral: Fauno, matilha e a palavra possuída

Abrimos com o método: não “feral” como folclore ou moda, mas como aliança e como problema de linguagem. Entram aqui Fauno e os Lupercos — homens-lobo não como fantasia, mas como modo de pensar pacto, parentesco e comunidade “antes da lei”.
Eixo: como libertar uma palavra gasta e fazê-la voltar a agir — sem inocência.
Estúdio feral: leitura/montagem de uma constelação de imagens (animal, cidade, ruína, bosque) + legenda glossolálica.

2) Homo ferus: crianças selvagens e a violência do “universal”

Aqui o “feral” aparece no ponto mais perigoso: quando a modernidade inventa “Homo ferus”, taxonomiza, racializa, e usa a criança como espelho do ideal civilizado. Entra Marie-Angélique Memmie LeBlanc não como fábula, mas como história torcendo o arco da domesticação (e da escravidão)
Atravessamos o Gabinete de Teratologia Kantiana: Haustier, Bildungstrieb, teleologia — e como isso transforma desvio em aberração.
Estúdio feral: exercício “o que a categoria não consegue pensar sem destruir?”.

3) Foedera naturae: pactos materiais e política desatômica

O coração cosmopolítico do curso: em vez de “leis da natureza”, pactos contingentes, limites temporários entre corpos em colisão contínua. Um foedus não é contrato: não há assinatura, só formação — e dissolução. Daí, duas viradas: usufruto, não propriedade e uma política sem monarquia cósmica — uma assembleia de matéria, sem télos. (E, no fundo, a pergunta: que tipos de “paz” são possíveis quando nada é garantido?)
Estúdio feral: “mapa de pactos”: escolher um objeto/ser (ímã, planta, rua, gato, ruína) e descrever seus pactos e limites como se fosse um tratado estranho.

4) Minimanual do povo das fendas: micropolíticas, alianças de brecha

Fechamos no presente prático-sem-moralismo: o fora que o sistema tenta limpar, manejar, erradicar — e as micropolíticas que insistem (cuidar de pombos, abrir passagem para tamanduá, plantar urtiga no cimento, escutar delírio como fabulação legítima…) É a aula onde “feral” vira forma de vida (e forma de arte) sem virar programa de pureza.
Estúdio feral: diagrama de possibilidade de uma pax telúrica (por diferença à paz imperial).

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